terça-feira, 18 de setembro de 2018

Hematomas



Ainda trago em meu corpo
As marcas do nosso amor
Dos quadris que ali se encaixavam
E das pernas que, literalmente, abraçavam um mundo

Será que, como as marcas, as lembranças também vão embora?
Irão de arroxeadas a esverdeadas, de doloridas, até quase sem dor
Até não restar nada visível. Nada sensível.
No meu coração, isso também vai acontecer?

Eu guardo marcas como se fossem troféus
Provas do indizível e da entrega
Provas no corpo da alma que não nega
a vontade e o desejo. Desse sentimento, réu.

Se eu passar na tua frente, teu olhos vão captar
extracorporeamente, o furacão dentro de mim, só pelo olhar?
Será que existe algo estampado no meu rosto, corpo, carne
Que te dê pistas
Que meu coração queima desritmado, confuso, arrasado
Que eu ainda sinto o universo inteiro e oceânico, em que sozinha nado?

Será que um dia, as coisas vão abrandar
O que um dia foi, virá a findar.
Que meu peito aqui aberto, irá se fechar?
Pra ti, que um dia foi mundo, chão, e lar.


Nenhum comentário:

Postar um comentário