[Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento Belezas são coisas acesas por dentro Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento Lágrimas negras caem, saem Dói]
Ontem fui semente, terra, esperança sendo regada todos os dias por lágrimas de desespero como quem nasce pela primeira vez em meio às trevas como quem por primeiro se joga de um abismo como quem implora a água da vida em pleno deserto pela primeira vez. Me deixei regar pelas minhas esperanças me deixei fluir no meu desespero até me esvaziar de ti, de mim, e olhar pro vazio. E era escuro. Mas claro ao mesmo tempo Olhei pro meu rosto cansado e não pude negar tudo aquilo que achei capaz de suportar, mas por quanto tempo? Me achei dona do tempo e espaço eu era infinita nos teus braços. Sem início, meio, fim. Só éramos Infinitos. Até que. Até que olhei meu corpo cansado e encontrei marcas de um amor que um dia se fez casa e, por escolha, não mais quis ser e quebrou janelas, derrubou tijolos. Por uma rachadura na parede se derrubou a casa inteira. Quando a casa era eu. Eu fui infinita nos teus braços. Éramos infinitos. Hoje eu flutuo Em meio a fragmentos de passado e futuro E o vazio do presente E você? Não se sustenta um castelo sobre um só alicerce. Nem se traça um caminho ao lado de alguém que não quer ver nem segurar a mão que se é oferecida. Meu bem, desenlaçaste nossos braços de infinito e, mesmo cego, quis enxergar um caminho mais promissor em outras galáxias. Eu não vou mais te mostrar o caminho, Nem te guiar com minha voz sussurrante nos teus ouvidos. As migalhas de guia resistem ao tempo, eu sei E estão aí pra quem decide ter vontade de caminhar e mudar. Porque no meu rosto coberto por lágrimas eu vi quem não queria mais meias certezas. Quem escutou coisas que não merecia Quando deu tudo de si, até esvaziar. E ainda assim não foi vista. E hoje eu me encho de mim deixo o gosto amargo da mágoa me fazer procurar pelo doce da vida que tá aí colorindo todos os lugares que faz parte de mim tanto quanto sangue, corpo e alma. Teu pior erro foi achar que eu me diminuía do teu lado, mas eu sou gigante. E continuo sendo. Pena que essa é a primeira vez que te rimo versos e esse não é um poema de amor.
Saiba meu amor
Cuidarei de nós
Mesmo quando eu for
Em busca de mim
Em busca do que faz você me amar
Mas saiba meu amor
Quando você for
Estarei aqui, firme como o chão
Tornando real
Desatando nós que a distância fez
Que confundem
Fazem disso tudo um drama
Pra nós dois como um.