terça-feira, 25 de setembro de 2018

Trilha Sonora


[Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz...

Eu não me arrependo de você]

Trilha Sonora


Lua Cheia

É verdade que tens o nome de amor
gravado no meu coração.
Tentei trocar por vários nomes outros
mas acho que não deveria.

Ontem me fiz parte do mistério.
Uivei pra lua e pus os pés na areia.
Me banhei de luz e  mergulhei em mim.
E eu soube.

Para o mar, que traz e leva, eu te entreguei.
Te fiz fiz livre de mim e pedi com toda a força:
Vai.
Sê tu em inteiro, que eu sou em inteiro.

Ontem mergulhei em mim
e meu desejo mais ardente foi eu mesma.
E joguei no mar flores e vontades
e tudo aquilo que já não fazia parte.

Como o mar que traz e leva
desejei não ser prisão de nada.
De sentimentos, de pessoas, de sonhos.

Me fiz ar que tudo move.
Água que tudo cria.
Fogo que tudo transforma.
Terra que tudo cura.

Quando não se aprisiona não se é aprisionado.
Então libertei todas as dores, amores, sonhos,
tudo aquilo que só não cabia a mim segurar, com toda a força,
com minhas mãos como se fossem a vida.
Quando a vida inteira sempre foi eu.

Que o mar, que traz e leva
leve o que não for pra ser
traga o que for de melhor pra mim.
E nisso repousa minha paz.

Pra não dizer que não pensei em ti,
do mar catei uma conha pequena,
que eu talvez nunca te dê,
como desejo calmo e gentil
de que essa paz em mim te preencha,
de que a mudança nos invada diariamente
e que sejamos como ondas.

E no meio desses fragmentos confusos
penso que não preciso te renomear.
Fostes amor quando tinhas que ser.
Continuarás sendo amor para além de mim.
E ainda bem.

[Que seja o que tem de ser, essa é a minha oração.]



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Utopia

Não, não espera por mim
Porque nem embora eu fui
Continuo aguando as nossas plantas
Fazendo nossos planos

Decorando uma casa imaginária
Pintando as paredes de amarelo
Escolhendo a mobília do teu quarto
E nosso guarda-roupa compartilhando

Continuo comprando pra mim as roupas que também te cabem
E pensando no nome do nosso negócio
e dos filhos
e dos gatos.

As sacolas cheias de roupas estão espalhadas dentro do quarto
assim como o coração cheio de sonhos
e a boca cheia de gosto e de desejo.

Não precisa esperar por mim
porque continuo aqui
de onde nunca saí
- no teu coração.
É só procurar.



Daquela tua playlist


[Tão pra inventar um mar grande o bastante
Que me assuste, e que eu desista de você

Se for preciso, eu crio alguma máquina
Mais rápida que a dúvida, mais súbita que a lágrima
Viajo a toda força, e num instante de saudade e dor
Eu chego pra dizer que eu vim te ver

Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você

Também perdi meu rumo, até meu canto ficou mudo
E eu desconfio que esse mundo já não seja tudo aquilo
Mas não importa, a gente inventa a nossa vida

E a vida é boa.

Mas é muito melhor com você.]

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Talvez a gente insista no que a gente sente e acredita


As nossas mãos ainda estão entrelaçadas naquele pulo que a gente deu. No infinito das coisas. No desejo de mundo. Onde cabia a gente e tudo o q a gente se permitiu sonhar. Naquela mesa de bar, tomando cerveja depois de uma tarde na biblioteca, éramos eu e você. Inteiros e em pedaços ao mesmo tempo, mas se entregando um ao outro pelo desejo, pela vontade e pelo que, desde antes dali,  a gente sentiu que valia a pena Nunca fomos inteiros. Talvez nunca sejamos. Sempre deixamos pedaços de nós nos lugares e pessoas em quem passamos. Vivemos de abrir e fechar buracos e aprender com eles. Fazendo do buraco uma possibilidade de imergir pra outro ponto, como um buraco de minhoca no espaço . Ou de vasinho pra plantar algo muito delicado que vai crescendo aos poucos e a gente nem sabe o que vai ser mas sente que vai ser bonito. Ainda somos aqueles dois, quebrados por dentro, encontrando de repente vida e possibilidades no outro. Fechamos os olhos e pulamos como quem não tem medo. Mas pedaços ficaram pelo caminho (sempre ficam). Tropeçamos nos nossos próprios pés,  Por cruel permissão do destino caímos em buracos terrivelmente conhecidos e terrivelmente novos. Misturamos nossos pedaços. Embaralhamos um quebra cabeça de peças infinitas que em vão tentamos montar... Mas o que impede nossas mãos de se desenlaçarem? Quando nossos próprios corações fizeram tantas raízes.... Tudo o que a gente quis continua naquela estrada que um dia a gente caminhou sem medo. A estrada onde faltou luz, onde andamos descalço e nos machucamos, onde nos perdemos um do outro e não sabíamos nem mais o que estávamos procurando. Mas ela foi construída.  Tecida delicadamente por quatro mãos,  tanto desejo, tanto amor.
A vida dói.  Dói tanto.  Que às vezes parece impossível tudo o que se disponha a ser do jeito que a gente quer. A gente tem o coração arrancado do peito e jura que nada no universo pode preencher aquele vazio. A gente esquece de toda a estrada,  de tudo o que nos trouxe até aqui. Às vezes o amor assusta. Quando é gigante. E assim todo cheio de infinitos. A gente espera que ele nunca vá abrir nenhum buraco no nosso peito já tão cheio de remendos. Mas a gente que carrega esse amor tantas vezes se atrapalha.  Como semi-deuses ganhando um dom divino, tentando proteger e cuidar daquilo que nos assusta, nos é raro, daquilo que nunca vamos estar 100% preparados para cuidar sem quebrar um único pedaço .  Mas o segredo,  que as vezes a gente esquece,  é que o amor é infinito em si mesmo pelo seu poder de cura. Se dez vezes o amor fere, sem querer,  por inaptidão,  por medo, por insegurança  (esses sentimentos humanos que nos colocam num labirinto  de olhos vendados) mil vezes o amor cura. Mil vezes mais. Quando ainda se há amor dentro, e vontade de aprender, de se renovar todo dia, de se fazer maior e melhor, por amor. Eu sei que nosso amor um dia veio, derrubando tantas portas,  e curando coisas tão doídas. Eu sei que uma tarde numa rede contigo em minhas pernas, em balanço lento e calmo, é tudo o que a minha alma deseja. Aquela leveza de quem tem certeza que o outro carrega e entrega  um bem tão precioso como o que  a gente oferece. Eu sei que parece romance utópico, mas não tem só beleza cega e ingênua aqui. Tem a dor dos erros passados, a culpa, a imaturidade.  Tem a incerteza de que a gente nunca mais vá tropeçar na vida. Mas também tem um segredo ancestral: o amor é a única coisa que nos salva dos buracos e desastres da vida. Enxergar a dádiva do amor, esse grande e infinito que muita gente leva vidas pra encontrar, é sorte.  Uma dádiva quase divina. Essa dádiva que reconhece o humano por trás do divino. O amor não nos salva do pior de nós,   mas traz à tona o melhor que somos. E a partir disso a gente faz e refaz passos. Porque é assim na vida inteira, acompanhados ou não. Porque a vida é jogo de aposta. E quando a gente ganha o maior prêmio, a gente se joga mesmo, e se alimenta da vontade do amanhã . Se cura pela vontade do hoje. Aqueles dois da mesa de bar mudaram muito. Cresceram, caíram,  machucaram e foram machucados. E da mesma forma que o amor que ali pairava era imenso,  imensa também foi a dor da decepção e do desencontro. Eu também tenho medo da vida. E eu aprendi a ter medo mais ainda quando vi escapando das minhas mãos aquilo de tão precioso que eu sabia que possuía. Me vi perdendo o que as pessoas passam a vida procurando... e eu me mantive dias e noites em desespero. Mas o amor cura, e eu olho pra nossa estrada, pra nossa rede e casa de paredes amarelas e me pergunto se a gente só vai deixar o tempo corroer todas essas construções. Como uma casa abandonada no meio da praia.... eu sei que mudamos,  crescemos.  Descobrimos um monte de coisa que a gente só não sabia. Quebramos uns ovos no meio do caminho e agora tentamos nos por de pé... o amor machuca de acordo com a sua intensidade... e eu fielmente acredito que se de cura com poder ainda maior. O que nos impede de continuarmos naquela estrada?  Ou tecer uma outra a partir do que somos hoje. Porque apesar de tão mudados, a nossa essência continua a mesma. Eu continuo rindo das tuas piadas bestas. Tu continua tendo ideias e planos de vida que eu acho maravilhosos e quero te ver conquistando todas essas coisas, e querendo ser parte delas. Eu continuo aqui,  pra te dar colo e afetos infinitos. Do jeito e na hora q tu precisar.  E eu quero continuar descobrindo novas maneiras de ser.... sair do labirinto onde medo e mágoas e buracos nos prendem, cegam e tonteiam. Descobrindo formas de nos curar como estrelas solitárias e únicas e também a constelação que nos tornamos quando damos as mãos. Eu desejo. Tanto. E tenho um coração disposto a ser o melhor de mim.  A me refazer todos os dias. A te ensinar o que sei e a aprender uma infinitude de coisas que tu sabe e me ensina todos os dias. A te assistir crescer, e aprender mais outro tanto de coisas. Pois sei que nosso amor infinito dá conta. Não por si só,  mas por trazer consigo um sem fim de ferramentas que a gente pode e deve usar todos os dias. O amor enlaçou nossos corações e almas. O resto do trabalho duro é com a gente. E nem sempre é duro. Tantas vezes foi leve, prazeroso e valeu a pena. Eu não sou de insistir em coisas, mas não são coisas. Sou eu, é você. É esse amor de milhões de estrelas e milhões de vidas. É isso que eu sei que tu sabe... A vida dói e sempre vai doer. Ter esse algo de especial que faz a gente existir com vontade na vida (por achar um lugar especial e único na terra pra repousar a cabeça sem medo ou receios) é o faz tudo valer a pena. Ainda somos eu e você. Naquela mesa.  Mais maduros, mais doídos, mais perdidos em alguns caminhos. Mas a essência de quem éramos, isso que se conectou na primeira noite que nos conhecemos, eu sei que continua. E é essa a minha essência de vida. É ela que me faz seguir e continuar e ser quem sou. E é ela quem faz eu não querer soltar da tua mão. Eu continuo querendo sonhar o possível e impossível contigo. E confio a minha vida a ti de olhos fechados. (E essas são as coisas  que eu mais queria que tu acreditasse).Porque eu vejo esse amor que nos resguarda  do apenas humano e coloca um pedaço do universo dentro de nós.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Dias bons, dias ruins

Hoje eu quase acordei chorando, me preparei toda antes de dormir para o que poderia me aguardar. Eu, que vinha até controlada esses dias, tremendo pouco as mãos, respirando bem, acordei de um salto. Meu corpo e minha alma não estavam preparadas para aquele dia. Mas eu iria enfrentar, isso eu tinha decidido. No dia anterior tomei um banho de limpeza, sem incensos dessa vez porque minha garganta vinha melhorando muito aos poucos de uma gripe que me deixou de cama, lavei os cabelos, hidratei com o creme novo que comprei da minha marca preferida. Lavei o rosto com sabonetes específicos, hidratei. Me limpei e perfumei como se estivesse me preparando para uma cerimônia, algum ritual. De ansiedade, dormi quase dez da noite, queria que aquele dia que temia tanto chegasse logo, que eu lidasse com ele e passasse, como quem arranca band-aid de uma puxada só. Uma música melódica com batida eletrônica embalou meu sono, junto com o efeito dos benzodiazepínicos, me lembrando de momentos gostosos passados outrora. Mas acordo exatamente como imaginei: tensa, nervosa, destruída. Parece que todos os sentimentos ruins que eu não estava sentindo ou estava até controlando bem dentro de mim, apareceram. BUM. Eu sinto tudo, mas continuo com os planos do dia. Coloco uma roupa nova (eu sei que tu ia gostar dessa combinação), coloco meus brincos preferidos, meu colar aromatizador na tentativa de acalmar o espírito, coloco o cordão que comprei em par, pra nós, na nossa viagem da serra, após ter ficado a semana inteira na cabeceira o visto como amuleto, pra tudo aquilo que não sei, pra tudo aquilo que sinto, acredito e desejo, pra tudo aquilo que tenho medo. Ajeito os cabelos meticulosamente no espelho, ativando cachos tímidos e desarrumados, delineei meus olhos, essa minha maquiagem de guerra. Sempre me sinto bonita de olhos delineados, e rímel, e naquele dia eu tentava trazer o melhor de mim. Ajeitei a bolsa, coloquei distrações caso eu precisasse: canetas, papel, dois livros, e fui enfrentar o dia. Bonita e perfumada, como se a qualquer momento eu pudesse te encontrar. Como se tu fosse estar me esperando em alguma esquina, em algum banco. Esperei uma ligação e tua voz do outro lado, a minha desajeitada e envergonhada, tu me perguntando se a gente podia se ver, pra conversar. Era nosso dia. Havíamos nos visto todos os meses no mesmo dia, pra comemorar ou chorar o término, mas vinha sendo nosso ritual nos últimos onze meses. E agora eu tava ali, andando pelas ruas, toda arrumada como se meu destino, naquele dia, fosse encontrar-me contigo. Mas eu não te encontrei, e meu coração ficou pequeno, e pequeno, e as coisas foram pesando, por mais que eu tentasse me concentrar na palestra. A psicanalista falava de desejo, falta, luto, e eu só pensava em ti... Será que tu também pensa em mim em horas aleatórias, ou qualquer hora? (eu juro que não sei...). Volto pra casa num misto de vitória e derrota. Vitoriosamente enfrentei o dia, e fui derrotada como achei que seria. E aqui estou eu. Quase 3 horas depois de chegar em casa, não tirei roupa, nem maquiagem, nem desarrumei um fio de cabelo, na esperança de receber uma ligação, o que quer que seja. Como será que foi o dia pra ti hoje? Como têm sido teus dias? Também sente falta das nossas conversas e cafunés? De como a gente preguiçava na cama de manhã e ficava vendo o outro conseguir abrir o olho, naquele abraço quentinho. Eu não sei mais o que tu pensa ou sente, talvez eu quisesse saber. Te fazer até umas perguntas proibidas de coisas que me dão medo, e eu prefiro ficar longe. Mas eu acho que quero saber, de tudo. Mesmo que me mate. Eu quero morrer. Eu preciso morrer pra nascer de novo. Esse coma induzido, esse sentar na sala de espera, são muito piores. As coisas dentro de mim definitivamente não morreram. E essas coisas são MUITO. Mesmo que eu precise sentar na sala de espera dentro do meu coração (e não da vida), mesmo que as coisas continuem assim por agora, eu queria saber o que tu sente. Porque as coisas dentro de mim só estão morrendo.... e eu quero adubar e colocar água, ou engolir logo o veneno.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

18.09.18


Tenho estado de pé
mais do que nunca
mais do que da última vez
mais do que eu achei que fosse capaz.
Talvez por achar que foi minha decisão
Talvez por realmente ter sido
Por ter olhado pra mim, pra dentro
e ter deixado sair o grito de basta!
Que sai rasgando a mim, de dentro pra fora
me queima e rasga inteira
Como quem grita 'morro pra me salvar'.
Da outra vez também doeu,
mas eu desejava mais que tudo estar perto
e me deixava arrastar pelo desespero de voltar
quando eu nem sabia o que havia me esperando.
Dessa vez eu continuo desejando estar perto,
mas eu espero encontrar outras coisas onde repousar.
Um lugar que me caiba, que me queira
que me deixe ser e amar.
Que entenda meus universos e que sou um universo em furacão
capaz de me aconchegar em quase qualquer espaço,
porque minha única constância é o meu coração
esse que dou por inteiro, dilacero e curo,
em mim, em ti, no sol, no ar
às vezes em colo outro, às vezes, como curandeira de si,
à luz da lua regada a lágrimas e certezas.
Eu sou o tudo e sempre muito,
e sendo assim, posso ser quem eu quiser,
o que me acalma é o afeto, o sutil, a certeza, a vontade e o caminho
que me faz entrelaçar dedos, pernas, vidas e até atrasar o tempo pra caminhar mais lento
ainda que meus passos sejam tão rápidos quanto a luz.
Eu não sei se veio do meu grito
ou foi uma habilidade de auto proteção conquistada após uma quase morte,
mas em mim o desespero não dói mais a cada segundo
e eu tenho até medo de que um dia, quando eu menos esperar, tudo isso desapareça
e não passe de memórias agridoces de uma vida que eu tive e desejei.
Mas o dia de amanhã me assusta
e hoje eu choro as lágrimas do medo do inteiro.
Porque hoje te sou e te escrevo assim, fragmentada.
Mas amanhã eu tenho medo de me juntar e sentir tudo de uma vez
A perda, o desejo, o fim, e o infinito
E diga que quero te ver
mesmo sabendo que não tens nada novo pra me dizer.

Hematomas



Ainda trago em meu corpo
As marcas do nosso amor
Dos quadris que ali se encaixavam
E das pernas que, literalmente, abraçavam um mundo

Será que, como as marcas, as lembranças também vão embora?
Irão de arroxeadas a esverdeadas, de doloridas, até quase sem dor
Até não restar nada visível. Nada sensível.
No meu coração, isso também vai acontecer?

Eu guardo marcas como se fossem troféus
Provas do indizível e da entrega
Provas no corpo da alma que não nega
a vontade e o desejo. Desse sentimento, réu.

Se eu passar na tua frente, teu olhos vão captar
extracorporeamente, o furacão dentro de mim, só pelo olhar?
Será que existe algo estampado no meu rosto, corpo, carne
Que te dê pistas
Que meu coração queima desritmado, confuso, arrasado
Que eu ainda sinto o universo inteiro e oceânico, em que sozinha nado?

Será que um dia, as coisas vão abrandar
O que um dia foi, virá a findar.
Que meu peito aqui aberto, irá se fechar?
Pra ti, que um dia foi mundo, chão, e lar.