Desmente o que agora
Chega à minha voz...
Eu não me arrependo de você]
As nossas mãos ainda estão entrelaçadas naquele pulo que a gente deu. No infinito das coisas. No desejo de mundo. Onde cabia a gente e tudo o q a gente se permitiu sonhar. Naquela mesa de bar, tomando cerveja depois de uma tarde na biblioteca, éramos eu e você. Inteiros e em pedaços ao mesmo tempo, mas se entregando um ao outro pelo desejo, pela vontade e pelo que, desde antes dali, a gente sentiu que valia a pena Nunca fomos inteiros. Talvez nunca sejamos. Sempre deixamos pedaços de nós nos lugares e pessoas em quem passamos. Vivemos de abrir e fechar buracos e aprender com eles. Fazendo do buraco uma possibilidade de imergir pra outro ponto, como um buraco de minhoca no espaço . Ou de vasinho pra plantar algo muito delicado que vai crescendo aos poucos e a gente nem sabe o que vai ser mas sente que vai ser bonito. Ainda somos aqueles dois, quebrados por dentro, encontrando de repente vida e possibilidades no outro. Fechamos os olhos e pulamos como quem não tem medo. Mas pedaços ficaram pelo caminho (sempre ficam). Tropeçamos nos nossos próprios pés, Por cruel permissão do destino caímos em buracos terrivelmente conhecidos e terrivelmente novos. Misturamos nossos pedaços. Embaralhamos um quebra cabeça de peças infinitas que em vão tentamos montar... Mas o que impede nossas mãos de se desenlaçarem? Quando nossos próprios corações fizeram tantas raízes.... Tudo o que a gente quis continua naquela estrada que um dia a gente caminhou sem medo. A estrada onde faltou luz, onde andamos descalço e nos machucamos, onde nos perdemos um do outro e não sabíamos nem mais o que estávamos procurando. Mas ela foi construída. Tecida delicadamente por quatro mãos, tanto desejo, tanto amor.